segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Perguntas. Sobre Psicanálise e sua formação profissional!

Concluir o Curso de Psicanálise permite clinicar?
Sim. O curso permite que você tenha um consultório e exerça livremente a profissão de psicanalista.

O Curso tem registro no MEC?
Não. Nem tão pouco os demais cursos de formação em Psicanálise existentes no País. Inexistem, também, cursos de Psicanálise no âmbito universitário e sim Especialização Lato Sensu. Concluído, o psicanalista recebe um Certificado expedido pela Sociedade.

Quem é o Psicanalista junto á clientela e ao Ministério do Trabalho?
É um profissional que pratica a Psicanálise em consultórios, clínicas e até hospitais, empregando metodologia exclusiva ao bom exercício da profissão, quais sejam, as técnicas e meios eficazes da psicanálise no tratamento das psiconeuroses. Para atingir plenamente seus objetivos, o psicanalista deve ser uma pessoa com sólida formação humanitária, visto que a profissão requer uma acentuada cumplicidade entre analista e seu paciente. Os psicanalistas têm sua profissão classificada na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) no Ministério do Trabalho - Portaria nº 397/TEM de 09/10/2002, sob o nº 2515.50, podendo exercer sua profissão em todo o Território Nacional.

Por que o Curso é aberto às várias profissões?
É aberto porque nenhuma Lei especificou o contrário. Vale dizer, que desde o princípio era uma profissão aberta a quem se interessasse e que atraiu não só médicos - como Jung e Adler - mas também advogados, filósofos, literatos, educadores e teólogos, sociólogos e pedagogos. Por isso restringir a Psicanálise a essa ou àquela profissão é absolutamente contrário à ciência, ilegal e inconstitucional, pois “todos são iguais perante a Lei”.

O que regulamenta a profissão de Psicanalista?
No Brasil e no Mundo a psicanálise é exercida livremente e não é uma profissão regulamentada. Sendo assim, é uma profissão livre, reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (CBO - código 2515.50), amparada pelo Decreto nº 2.208 de 17/04/1997, que estabelece Diretrizes e Bases da Educação Nacional e pela Constituição Federal nos artigos 5º incisos II e XIII. Repisando: pode ser exercida em todo o País.

O que faz o psicanalista?
Há uma grande necessidade de psicanalistas para orientar as pessoas na solução de seus problemas existenciais, tais como: fobias, ansiedades, depressões, obsessões, impulsos auto e heteroagressivos, angústias e crises de toda ordem. O profissional de Psicanálise ajudará a sociedade a ficar mais humana e a vida a ter mais sentido!

Quem poderá fazer o curso?
Médicos, Professores, Engenheiros, Odontólogos, Advogados, Assistentes Sociais, Pedagogos, Teólogos, Enfermeiros, Pastores, Padres, Psicólogos, Contadores, etc. Este curso é dirigido a todos os interessados em adquirir conhecimentos mais profundos em Psicanálise. Aos que querem aprender a dinâmica de seus problemas emocionais e afetivos de acordo com as teorias psicanalíticas, e aos que desejam dedicar-se à Psicanálise como Terapeutas e Clinicar.

O Curso de Psicanálise oferece titulação acadêmica?
Não. Nem tão pouco os demais cursos de formação em Psicanálise existentes no País. Inexistem, também, cursos de Psicanálise no âmbito universitário e sim Especialização Lato Sensu. Concluído, o psicanalista recebe um Certificado expedido pela Sociedade e pode atuar como psicanalista em todo país. No entanto, há sociedades que não emitem sequer uma comprovação de conclusão de curso. A SBPI cumpre à risca essa necessidade.

O certificado de conclusão do curso de Psicanálise é reconhecido em todo o território nacional?
O certificado é válido para que você atue como psicanalista em todo território nacional sem problemas legais.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A DEPRESSÃO – DOENÇA DO SÉCULO

Depressão é uma realidade deste novo século. A estatística é cada vez maior quando representa o número de pessoas atingidas pela depressão e estima-se o aumento futuro deste número visto a falta de conhecimento de muitos sobre a doença e seus sintomas, o que acarreta o desenvolvimento da mesma sem os cuidados preventivos. Geralmente por trás da depressão está muita frustração, muitos desejos não realizados. A mentira e a ilusão do querer e ser muito, próprios de nossa sociedade e de nossos dias, deixa no fundo da alma, um buraco vazio, onde se agigantam e agitam os fantasmas da ansiedade e da depressão. Os transtornos depressivos na sua grande maioria referem-se a “depressão maior”, ela pode ser leve, moderada ou grave com sintomas psicóticos ou não, e com sintomas físicos ou somente com sintomas mentais. "A depressão tende a ser uma doença predominantemente de mulheres - a proporção de mulheres para homens é 2:1. Estudos como esse indicam que a depressão tem características diferentes entre homens e mulheres, diz o Dr.Tuan Anh Nguyen, do Maricopa Integrated Health System (Arizona, Estados Unidos). É o transtorno mental mais comum em todas as comunidades no mundo. Pacientes com este tipo de depressão apresentam pelo menos cinco dos sintomas listados a seguir, por um período não inferior a duas semanas:
# Desânimo na maioria dos dias e na maior parte do dia (em adolescentes e crianças há um predomínio da irritabilidade).
• Falta de prazer nas atividades diárias.
• Perda do apetite e/ou diminuição do peso.
• Distúrbios do sono – desde insônia até sono excessivo – quase todo dia.
• Sensação de agitação ou languidez intensa
• Sentimento de culpa constante
• Idéias recorrentes de suicídio ou morte
• Baixo desempenho no trabalho
• Sensível prejuízo de manter atenção e concentração
• Constantes queixas, essencialmente de natureza hipocondríaca
• Visão pessimista do futuro

Outros fatores que contribuem para desencadear a depressão são: o stress, o perfeccionismo, o medo do fracasso ou do sucesso, desequilíbrios hormonais, falta de uma relação plena de confiança e cumplicidade, morte da mãe antes da adolescência, esgotamento, subnutrição, o álcool, problemas sexuais... Enfim, todos nós, estamos sujeitos a essa doença com nossas variações de humor. A depressão pode afetar qualquer ser humano, dependendo da complexa interação entre vulnerabilidades biológicas, condições ambientais, e condições sociais.
A depressão não tratada pode levar o óbito. Portanto, a pessoa deprimida, deve procurar ajuda psiquiátrica e concomitante, ajuda de um psicoterapêutica.
A clínica psicanalítica com pacientes deprimidos é rica e desafiadora segundo a Psicanalista Gicileide F. de Oliveira
Caros colegas do grupo de estudo da Apsibra,
Estamos retomando nosssos estudos.Estou vendo o melhor horário.
Abraço
Primeira e Segunda Tópica de Freud
e os Três registros de Lacan: Real -Simbólico-Imaginário

Quando Freud propõe a teoria topográfica, fica muito claro que ele vai tomar como axial a explicação do conflito intrapsíquico que é, muito especificamente, um conflito entre desejos sexuais e forças inibidoras, sendo que, tal conflito, vai desencadear a resistência característica em todo o processo analítico. Sua teoria mostrou ser uma descoberta importantíssima, pois apresenta a mente humana dividida em sistemas que ele demarcou.
Inconsciente – uma grandiosa fonte dotada de energia inconsciente; absolutamente livre, já que, caoticamente, age em cada ser humano, ora se apresentando como um feixe de representações que se mantêm à margem da consciência, ora como um invasor tumultuando a mente, despeja os seus derivados na consciência . Ele se caracteriza por serem os seus elementos inacessíveis à consciência; funcionar de acordo com as regras do processo primário; serem os seus resíduos mnésicos não-verbais; operar nos termos do princípio do prazer; estar relacionado com a ida instintual; caracterizar-se por um caráter infantil; ser atemporal.
Pré-consciente – compreende os elementos acessíveis à consciência. Refere-se a conteúdos que não se encontram presentes no campo atual da consciência, o que, então, o torna descritivamente inconsciente, Para que um elemento do sistema Inconsciente se torne consciente, é indispensável que, primeiro se torne pré-consciente, realizado pela associação a resíduos verbais correspondentes. Dessa forma, os elementos do Pcs, particularmente os resíduos mnésicos pertencentes a este sistema, são verbais por natureza.
Consciente – a percepção consciente é limitada a sensações provindas do mundo exterior; e sentimentos (afetos, emoções, pensamentos, lembranças, angústias etc) contidos no sistema Pcs. Para que um elemento do sistema Ics se torne consciente, é absolutamente indispensável que venha a receber catexia.
Freud percebe que na teoria Topográfica não havia correspondência entre certos fatos encontráveis no conflito psíquico. Então, cria a Teoria Estrutural com a finalidade de alcançar a dita correspondência, pela divisão da mente, de acordo com a experiência comprobatória de uma associação das funções psíquicas entre si, quando de situações de conflitos, ou seja, quando as muitas expressões do Ego, ante os conflitos, se apresentam desconexões, ou mesmo em nítida oposição.
Isto posto, a teoria Estrutural divide a mente em três grupos de funções que foram denominados de Id; Ego; e Superego, uma divisão que é feita de tal forma, que os principais tipos de conflitos mentais com os quais estejamos familiarizados, podem ser descritos como ocorrendo entre o Id de um lado, e o Ego e o superego do outro, ou entre o Ego e o Superego.
Id – é uma estrutura, é formado pelos representantes mentais dos impulsos instintuais e é, também, uma poderosa fonte de energia mental para todo ao aparelho psíquico Compõe-no também, os desejos, que exigem gratificação, o que resulta em impelir o Ego às ações, tendo-se, então aí, as suas duas características essenciais: ser formado pela energia e pelos representantes mentais dos impulsos. O id é regido pelo princípio do prazer.
Ego – é aquela parte da psiquê que se relaciona com o meio ambiente, funciona como mediador, integrador, harmonizador entre as pulsões do Id, as exigências, ameaça do Superego e as demandas da realidade exterior, com funções essenciais, na maior parte consciente para relacionarem-se com o mundo exterior tais como: percepção, pensamento, memória, atenção, antecipação, discriminação, juízo crítico, ação motora, e também, funções mais complexas, na maior parte inconsciente como: produção de angústias, mecanismos de defesa, fenômenos de identificação, formação de símbolos e como sede de representações que determinam a imagem que o sujeito tem de si mesmo, que estruturam o seu sentimento de identidade e de auto-estima.
Superego – define-se como um grupo de funções psíquicas ligado às aspirações ideais e às exigências e proibições morais. Sendo uma das divisões da mente, tem a sua origem na identificação com as figuras parentais, particularmente com os aspectos éticos e morais de ambos.
Assim sendo, como bem observou Freud, a acessibilidade à consciência não é um bom critério para basear a construção de sistemas psicológicos, então, a partir dessas considerações, ele propôs substituir a Teoria Topográfica que o critério é, meramente, o da acessibilidade à consciência, pela Teoria Estrutural que tem como critério, outro princípio: o do conflito de funções entre os instintos, a moralidade, a realidade e o Ego.
Na teoria lacaniana, o aparelho psíquico é uma estrutura única composta pelo Real e pelos registros do Imaginário e do simbólico, que se configuram em torno do furo inicial do objeto a. A tripartição estrutural real-simbólica-imaginário (SIR) estabelecida por Lacan desde a conferência pronunciada em julho de 1953 na fundação da Sociedade Francesa de Psicanálise “O Simbólico, o imaginário e o real” – foi objeto de contínua investigação até o fim de seu seminário. Essa tripartição, embora não compareça nomeadamente na obra de Freud, dela retira todo o seu alcance, de tal modo que, como afirmou Moustapha Safouan num artigo de imprensa publicado quando da morte de Lacan, em 1981, sem ela dificilmente se poderia entender a essência das teses freudianas sobre o psiquismo. Pode-se dizer que os três registros psíquicos dessa tripartição concernem três grandes segmentos da descoberta freudiana, como se as mais diferentes regiões da vasta obra de Freud pudessem confluir, todas elas, para cada um desses registros nomeados por Lacan. O próprio Lacan afirma, no seminário sobre Os escritos técnicos de Freud, que RSI são “categorias elementares sem as quais não podemos distinguir nada na nossa experiência”. Chegou a dizer também que “Freud não tinha do imaginário, do simbólico e do real a noção que ele tinha, mas mesmo assim, tinha uma suspeita deles... e que na verdade, pode extrair os três registros do discurso de Freud com paciência e tempo, começando pelo imaginário, depois mastigou a história do simbólico tendo como referência a lingüística e percebeu o famoso real, sob a própria forma do nó borromeano.
Na conferencia de 1953, SIR são apresentados como três registros muito distintos e essenciais da realidade humana. O Simbólico tem a ver com o saber em jogo na própria experiência psicanalítica, ele é responsável pelas “transformações tão profundas para o sujeito”. A partir da constatação de que a análise retira sua eficácia do fato de que “se desenvolve integralmente em palavras” O registro do Simbólico tem, na linguagem, sua expressão mais concreta, regendo o sujeito do inconsciente. Ela é a causa e o efeito da cultura, onde a lei da palavra interdita o incesto e nos torna completamente diferentes dos animais. Nos trabalhos de Freud, a importância do simbólico pode ser encontrada nos textos que ilustram o funcionamento do inconsciente, onde a casuística prova a maneira como é estruturado. Quanto ao Imaginário, surge para descrever apenas os ciclos instituais dos animais, nos quais se pode ver ocorrer certo número de deslocamentos, que significam um esboço de comportamento simbólico. O Real é apresentado desde já como “aquela parte dos sujeitos que nos escapa na análise” como aquilo que constitui o limite de nossa experiência, é sempre aludido pela negativa: seria aquilo que, carecendo de sentido, não pode ser simbolizado, nem integrado imaginariamente. Aquém ou além de qualquer limite, seria incontrolável e fora de cogitação. O real é o que retorna sempre ao mesmo lugar.
Muitos anos depois Lacan mostra que os três registros Real-Simbólico-Imaginário não podem ser isolados, uma vez que se apresentam unidos de modo indissociável na topologia do nó Borromeano em que os elos, estão amarrados uns aos outros de forma tal que, se cortamos apenas um deles, todos os outros se desligam simultaneamente.
Vale ressaltar que houve alteração na ordem das letras de SIR a RSI. Na primeira a primazia do Simbólico e na segunda a do Real. Da tríade dos registros ocorrida entre a primeira conferência em que Lacan pronunciava sobre ela em 1953, “o Símbolo, o imaginário e o real”, nesse período esteve aderido à idéia de destacar os elementos que constituem a estrutura do significante e sua lógica particular. O seminário de 1974-75, RSI, por si só já diz alguma coisa dos avanços produzidos por Lacan a esse respeito que recaiu nitidamente sobre o real enquanto o registro que rege e ordena a estrutura: a partir do real, presentifica-se o simbólico; a partir do simbólico, presentifica-se o imaginário. Mas a partir do imaginário também se presentifica o real.
Contudo, a alteração da ordem das letras trouxe certamente uma maior precisão à concepção lacaniana da estrutura. Vejamos: RSI: R - tudo começa a partir do real, ele constitui a base da estrutura do sujeito falante, S - o simbólico tem seu lugar efetivamente a partir do real. I– o efeito da introdução do simbólico é a possibilidade de constituição de imaginário, originalmente faltoso para o sujeito falante.
Essa tripartição para Lacan, não havia divórcio entre o prolongado trabalho com os nós e a prática psicanalítica. Cada uma das três categorias é autônoma e diferente das outras, embora todas elas estejam amarradas de forma interdependente.



Estudo com base na bibliografia de Lacan e Freud
Tema para discussão no grupo de estudo