Caros colegas,
O Grupo de Estudos agora passa a se reunir nas noites de quarta-feira.
E seguindo a necessidade da prática de consultório, achamos por bem abordar o tema Psicodinâmica dos Transtornos Neuróticos. O texto base para as discussões está em arquivo PDF, podendo ser solicitado pelo e-mail da APSIBRA (apsibra@yahoo.com.br)
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Transtornos
Caros associados,
Todas as quintas-feiras, estarei postanto um texto sobre Trasntorno Psicótico, para discutirmos no grupo de estudo nas segundas-feiras e complementar com a cinemateca mensal.
Introdução
Um dos principais aspectos na nossa relação com o ambiente é a capacidade que temos de processar e interpretar adequadamente os estímulos que se encontram ao nosso redor. A principal característica dos transtornos psicóticos é a perda do contato coma realidade. De fato, os sintomas psicóticos estão associados a alterações que impedem o indivíduo de se relacionar de forma apropriada com o mundo exterior, ou seja, estímulos ou informações do meio externo podem ser processado de forma falsa e, quando apreendidos adequadamente, interpretados de forma distorcida. Uma pessoa que sofre de um transtorno psicótico pode apresentar comportamentos em profunda discordância com o meio onde ela se encontra.
Alucinação e delírio são os dois principais sintomas psicóticos. A alucinação é uma falsa percepção, na qual o paciente vivencia uma experiência sensorial, mas o estímulo físico correspondente a essa experiência está ausente. Por exemplo, um indivíduo que apresenta uma alucinação auditiva pode ouvir vozes sem que outras pessoas estejam de fato falando nas proximidades. As alucinações podem ser classificadas de acordo com as diferentes modalidades sensoriais: auditivas; visuais; táteis; olfativas;gustativas; corporais (envolvendo as vísceras) ou de movimento (cinestésicas)dos transtornos psicóticos é a perda do co indivíduo de se relacionar de forma apropriada com o mundo exterior, ou seja, estímulos ou informações do meio externo podem ser processado de forma falsa e, quando apreendidos adequadamente, interpretados de forma distorcida. Uma pessoa que sofre de um transtorno psicótico pode apresentar comportamentos em profunda discordância com o meio onde ela se encontra.
Alucinação e delírio são os dois principais sintomas psicóticos. A alucinação é uma falsa percepção, na qual o paciente vivencia uma experiência sensorial, mas o estímulo físico correspondente a essa experiência está ausente. Por exemplo, um indivíduo que apresenta uma alucinação auditiva pode ouvir vozes sem que outras pessoas estejam de fato falando nas proximidades. As alucinações podem ser classificadas de acordo com as diferentes modalidades sensoriais: auditivas; visuais; táteis; olfativas; gustativas; corporais (envolvendo as vísceras) ou de movimento (cinestésicas).
A palavra delírio significa “lavrar fora do sulco”. O delírio representa uma crença absurda, inadequada e incompatível com a realidade, consistindo em uma convicção que não se submete às evidências impostas pelo mundo real. O tema delirante mais comum é o de perseguição. Neste caso, o indivíduo, acredita que está sendo vigiado, seguido na rua ou que alguém quer lhe fazer algum mal ou mesmo matá-lo.
Todas as quintas-feiras, estarei postanto um texto sobre Trasntorno Psicótico, para discutirmos no grupo de estudo nas segundas-feiras e complementar com a cinemateca mensal.
Introdução
Um dos principais aspectos na nossa relação com o ambiente é a capacidade que temos de processar e interpretar adequadamente os estímulos que se encontram ao nosso redor. A principal característica dos transtornos psicóticos é a perda do contato coma realidade. De fato, os sintomas psicóticos estão associados a alterações que impedem o indivíduo de se relacionar de forma apropriada com o mundo exterior, ou seja, estímulos ou informações do meio externo podem ser processado de forma falsa e, quando apreendidos adequadamente, interpretados de forma distorcida. Uma pessoa que sofre de um transtorno psicótico pode apresentar comportamentos em profunda discordância com o meio onde ela se encontra.
Alucinação e delírio são os dois principais sintomas psicóticos. A alucinação é uma falsa percepção, na qual o paciente vivencia uma experiência sensorial, mas o estímulo físico correspondente a essa experiência está ausente. Por exemplo, um indivíduo que apresenta uma alucinação auditiva pode ouvir vozes sem que outras pessoas estejam de fato falando nas proximidades. As alucinações podem ser classificadas de acordo com as diferentes modalidades sensoriais: auditivas; visuais; táteis; olfativas;gustativas; corporais (envolvendo as vísceras) ou de movimento (cinestésicas)dos transtornos psicóticos é a perda do co indivíduo de se relacionar de forma apropriada com o mundo exterior, ou seja, estímulos ou informações do meio externo podem ser processado de forma falsa e, quando apreendidos adequadamente, interpretados de forma distorcida. Uma pessoa que sofre de um transtorno psicótico pode apresentar comportamentos em profunda discordância com o meio onde ela se encontra.
Alucinação e delírio são os dois principais sintomas psicóticos. A alucinação é uma falsa percepção, na qual o paciente vivencia uma experiência sensorial, mas o estímulo físico correspondente a essa experiência está ausente. Por exemplo, um indivíduo que apresenta uma alucinação auditiva pode ouvir vozes sem que outras pessoas estejam de fato falando nas proximidades. As alucinações podem ser classificadas de acordo com as diferentes modalidades sensoriais: auditivas; visuais; táteis; olfativas; gustativas; corporais (envolvendo as vísceras) ou de movimento (cinestésicas).
A palavra delírio significa “lavrar fora do sulco”. O delírio representa uma crença absurda, inadequada e incompatível com a realidade, consistindo em uma convicção que não se submete às evidências impostas pelo mundo real. O tema delirante mais comum é o de perseguição. Neste caso, o indivíduo, acredita que está sendo vigiado, seguido na rua ou que alguém quer lhe fazer algum mal ou mesmo matá-lo.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Recordar, Repetir e Elaborar
(Novas Recomendações sobre a Técnica da Psicanálise)
No texto Recordar, Repetir e Elaborar, Sigmund Freud levanta uma série de considerações para o aprimoramento da técnica psicanalítica. Nessa primeira fase (a catarse de Breuer) recordar e ab-reagir, com auxílio era o que se visava . A psicanálise buscava através da hipnose, reproduzir o trauma original causador do sintoma do paciente. Este seria o tipo ideal de lembrança, vez que ele se manifestaria sem interferência nenhuma da repressão. Revelando-se limitada, foi deixada de lado e substituída pela recordação por meio das associações livres do paciente. Nesse momento, a resistência passa a ser considerada e contornada pelo trabalho da interpretação. As situações que haviam ocasionado a formação do sintoma e as outras anteriores ao momento em que a doença irrompeu conservaram seu lugar como foco de interesse e finalmente, o analista abandona a tentativa de colocar em foco um momento ou problemas específicos e passa a estudar tudo o que se ache presente, de momento, na superfície da mente do paciente e emprega a arte da interpretação principalmente para identificar as resistências tornando-as conscientes para o paciente.
Ao vencer suas próprias resistências, o paciente relaciona sem dificuldades as situações esquecidas. Freud chama atenção para os casos em que o paciente, em vez de recordar aquilo que ele reprimiu e esqueceu expressa-o pela atuação.(acting-out). A experiência em questão não é reproduzida pela lembrança, mas como ação; repete-o, sem, naturalmente, saber que o está repetindo. Logo, percebemos que a transferência é, ela própria, apenas um fragmento da repetição e que a repetição é uma transferência do passado esquecido para todos os outros aspectos da situação atual.
O paciente se submete à compulsão, à repetição, que substitui o impulso a recordar em cada diferente atividade e relacionamento que podem ocupar sua vida na ocasião. Quanto maior a resistência, mais extensivamente a atuação (acting out) substituirá o recordar, pois o recordar ideal do que foi esquecido, que ocorre na hipnose , corresponde a um estado no qual a resistência foi posta completamente de lado. Portanto, vimos que o paciente repete ao invés de recordar, repete suas inibições, atitudes inúteis, traços patológicos de caráter, sintoma (compulsão à repetição). Esta compulsão aumenta com o início da análise , e deve tratar a doença, não como um acontecimento do passado, mas como uma força atual.
O recordar (induzido pela hipnose) dava a impressão de um experimento de laboratório. O repetir ( no tratamento analítico) implica evocar um fragmento da vida real. A deterioração durante o tratamento era inevitável.
O instrumento principal para reprimir a compulsão à repetição e transformá-la num motivo para recordar reside no manejo da transferência e em substituir sua neurose comum para uma neurose de transferência, da qual pode ser curado pelo trabalho terapêutico.
A transferência cria assim uma região intermediária entre a doença e a vida real, através da qual a transição de uma para a outra é efetuada. A nova condição representa uma doença artificial acessível a nossa intervenção. O primeiro passo para superar as resistências ocorre com a revelação feita pelo analista ao paciente sobre elas. Então, deve-se dar ao paciente tempo para conhecer melhor a resistência e elaborá-las. Esta elaboração das resistências pode, na prática, revelar-se uma tarefa árdua para o sujeito e uma prova de paciência para o analista. Contudo, trata-se da parte do trabalho que efetua as maiores mudanças no paciente e que distingue o tratamento analítico de qualquer tipo de tratamento por sugestão.
Gicileide Ferreira
No texto Recordar, Repetir e Elaborar, Sigmund Freud levanta uma série de considerações para o aprimoramento da técnica psicanalítica. Nessa primeira fase (a catarse de Breuer) recordar e ab-reagir, com auxílio era o que se visava . A psicanálise buscava através da hipnose, reproduzir o trauma original causador do sintoma do paciente. Este seria o tipo ideal de lembrança, vez que ele se manifestaria sem interferência nenhuma da repressão. Revelando-se limitada, foi deixada de lado e substituída pela recordação por meio das associações livres do paciente. Nesse momento, a resistência passa a ser considerada e contornada pelo trabalho da interpretação. As situações que haviam ocasionado a formação do sintoma e as outras anteriores ao momento em que a doença irrompeu conservaram seu lugar como foco de interesse e finalmente, o analista abandona a tentativa de colocar em foco um momento ou problemas específicos e passa a estudar tudo o que se ache presente, de momento, na superfície da mente do paciente e emprega a arte da interpretação principalmente para identificar as resistências tornando-as conscientes para o paciente.
Ao vencer suas próprias resistências, o paciente relaciona sem dificuldades as situações esquecidas. Freud chama atenção para os casos em que o paciente, em vez de recordar aquilo que ele reprimiu e esqueceu expressa-o pela atuação.(acting-out). A experiência em questão não é reproduzida pela lembrança, mas como ação; repete-o, sem, naturalmente, saber que o está repetindo. Logo, percebemos que a transferência é, ela própria, apenas um fragmento da repetição e que a repetição é uma transferência do passado esquecido para todos os outros aspectos da situação atual.
O paciente se submete à compulsão, à repetição, que substitui o impulso a recordar em cada diferente atividade e relacionamento que podem ocupar sua vida na ocasião. Quanto maior a resistência, mais extensivamente a atuação (acting out) substituirá o recordar, pois o recordar ideal do que foi esquecido, que ocorre na hipnose , corresponde a um estado no qual a resistência foi posta completamente de lado. Portanto, vimos que o paciente repete ao invés de recordar, repete suas inibições, atitudes inúteis, traços patológicos de caráter, sintoma (compulsão à repetição). Esta compulsão aumenta com o início da análise , e deve tratar a doença, não como um acontecimento do passado, mas como uma força atual.
O recordar (induzido pela hipnose) dava a impressão de um experimento de laboratório. O repetir ( no tratamento analítico) implica evocar um fragmento da vida real. A deterioração durante o tratamento era inevitável.
O instrumento principal para reprimir a compulsão à repetição e transformá-la num motivo para recordar reside no manejo da transferência e em substituir sua neurose comum para uma neurose de transferência, da qual pode ser curado pelo trabalho terapêutico.
A transferência cria assim uma região intermediária entre a doença e a vida real, através da qual a transição de uma para a outra é efetuada. A nova condição representa uma doença artificial acessível a nossa intervenção. O primeiro passo para superar as resistências ocorre com a revelação feita pelo analista ao paciente sobre elas. Então, deve-se dar ao paciente tempo para conhecer melhor a resistência e elaborá-las. Esta elaboração das resistências pode, na prática, revelar-se uma tarefa árdua para o sujeito e uma prova de paciência para o analista. Contudo, trata-se da parte do trabalho que efetua as maiores mudanças no paciente e que distingue o tratamento analítico de qualquer tipo de tratamento por sugestão.
Gicileide Ferreira
EGO E O ID
Estritamente falando a partir do ponto de vista fenomenológico, qualquer elemento mental que em determinado momento não pertença à consciência, há que ser considerado fora da consciência e portanto, inconsciente. Contudo, do ponto de vista psicanalítico, a palavra inconsciente se reveste de um significado muito mais específico, já que não se refere, apenas, ao fato de determinados elementos, em determinado momento não estarem presentes na consciência e sim, a par dessa circunstância, que os tais elementos não são acessíveis à consciência, pois para que se tornem conscientes, um esforço muito especial há que ser feito. Por isso mesmo, veremos que os elementos mentais não-conscientes podem ser divididos em dois grupos: 1- elementos inconscientes, ou seja, aqueles que não são acessíveis à consciência ou o são depois de muitas dificuldades e 2- elementos pré-conscientes, que são aqueles que não sendo conscientes no momento em que se intenta a sua recuperação, acabam por se tornar conscientes em função de um ato concentrado de atenção.
Com base na obra de Freud volume XIX diz que: todo o nosso conhecimento está invariavelmente ligado a consciência. Só podemos conhecer o Inconsciente tornando-o consciente. Freud ainda assinala que é nas lacunas das manifestações conscientes que temos de procurar o caminho do inconsciente. A consciência é a superfície do aparelho mental podendo se dizer que é o primeiro sistema a ser atingido a partir do mundo externo não apenas no sentido funcional, mas também no sentido de dessecção anatômica. Todas as percepções sensoriais recebidas de dentro e de fora são conscientes desde o início. A diferença real entre uma idéia inconsciente é uma idéia pré-consciente consiste que a primeira é efetuada em algum material que permanece desconhecido, enquanto que a idéia de pré-consciente é colocada em vinculação com representações verbais que são resíduos de lembranças que foram antes percepções e como todos os resíduos mnêmicos podem tornar-se conscientes. Pensamos nos resíduos mnêmicos como se estivessem contidos em sistemas que são diretamente adjacentes ao sistema Pcpt-Cs de modo que as catexias desses resíduos podem se estender, de dentro, para os elementos do último sistema.
Os resíduos verbais derivam primariamente das percepções auditivas de maneira que o sistema Pcs possui uma fonte sensória especial. Em essência, uma palavra é, em última análise o resíduo mnêmico de uma palavra que foi ouvida. Não podemos esquecer também a importância dos resíduos mnêmicos ópticos, quando são de coisas ou a negar que seja possível o processo de pensamentos tornarem-se consciente mediante uma reversão a resíduos visuais. Portanto, esta é a maneira pela qual algo que é, em si próprio, inconsciente, se tornar pré-consciente.
A relação das percepções externas com o ego é bastante perspícua, enquanto que as das percepções internas e, o mesmo exige, uma investigação especial, pois produzem sensações de processo que surgem nos mais diversos ,e, certamente nos mais profundos estratos do aparelho mental. No entanto, apenas se conhece e muito pouco sobre essas sensações e sentimentos os que pertencem à série prazer-desprazer. As sensações de natureza prazerosa não tem nada de inerentemente impelente nelas, enquanto que as desprazerosas o têm no mais alto grau. A experiência clínica nos tem demonstrado que deve ser transmitidos primeiro o sistema perceptivo para tornar-se consciente. Todavia, a diferença é que, enquanto que com as idéias Isc. devem ser criados vínculos de ligação antes que elas possam serem trazidas para o Cs, com os pensamentos que são transmitidos diretamente, isto não ocorre. Consciente e Pré-consciente não tem significado no que concerne a sentimento o Pcs é posto de lado e os sentimentos são ou consciente ou inconsciente.
Georg Groddeck, insiste em dizer que aquilo que chamamos de nosso ego comporta-se essencialmente de modo passivo na vida e que, como ele o expressa nós somos “vividos” por forças desconhecíveis e incontroláveis. No entanto, Freud propõe chamar a entidade que tem início no sistema Pcpt. e começa por ser Pcs. de “EGO”, e a outra parte da mente que se estende e se comporta como se fosse Ics., de “ID.”
O Ego procura aplicar a influência do mundo externo ao id, e às tendências deste, e esforça-se por substituir o princípio de prazer, que reina irresistivelmente, no id, pelo princípio de realidade. Para o ego, a percepção desempenha o papel que do id cabe ao instinto.O ego representa o que pode ser chamado de razão e senso comum, em contraste com o id, que contém paixões.O ego tem o hábito de transformar em ação a vontade do id, como se fosse sua própria.. O ego recalcado se dilui também no id, e é uma parte dele tendo em vista que foi modificada diretamente do mundo externo. Podemos dizer em última análise que o ego deriva das sensações corporais, principalmente das que se originam da superfície do corpo. Ele pode ser assim encarado como uma projeção mental da superfície do corpo, além de, como vimos acima, representar as superfícies do aparelho mental.
Gicileide Ferreira
O FUTURO DE UMA ILUSÃO
Em o futuro de uma ilusão, Freud toma como modelo o cristianismo tal como é praticado no Ocidente, e considera que a religião é fundamentada na necessidade de ilusão que habita o ser humano, que tenta se proteger dos perigos da existência. Ele reafirma que a religião é “neurose obsessiva universal da humanidade”. Nessa obra ele dialoga com um interlocutor imaginário, em que se reconhece seu amigo e correspondente suíço o pastor Oskar Pfister, a quem ele declara sua fé inquebrantável na ciência.Este amigo é envolvido por Ferud não apenas como pastor em O futuro de uma ilusão, mas também como psicanalista não-médico.
Em um futuro de uma ilusão, Freud dedica os dois primeiros capítulos a demonstrar a necessidade para a civilização de recorrer a altos valores morais afim de se proteger das tendências destrutivas provenientes dos indivíduos que as compõe. Entre estes valores morais ele engloba valores de ordem psicológica, os ideais culturais, a arte, assim como as idéias religiosas. Diz também que as criações humanas são facilmente destruídas, e a ciência e a tecnologia que as construíram, também pode ser utilizada para sua aniquilação.
Segundo Freud, as idéias religiosas, no sentido mais amplo do termo, constituem o valor moral mais importante para a manutenção da civilização. Ele nos sugere imaginar o caos que se seguiria caso se suprimissem todas as proibições instintivas e se permitisse aos homens voltar ao estado natural. Assim, as idéias religiosas teriam surgido da necessidade de tornar suportável o desamparo humano em face dos perigos da natureza e do destino e em face dos danos causados pela sociedade humana, as idéias religiosas são ensinamentos e afirmações sobre fatos e condições da realidade externa ou interna que nos dizem algo que não descobrimos por nós mesmos e que reivindicam nossa crença. Visto que, nos fornecem informações sobre o que é mais importante e interessante para nós na vida. Todo ensinamento exige uma crença em seu conteúdo, mas não sem produzir fundamentos para sua reivindicação. Esses ensinamentos são apresentados como o resultado resumindo de um processo mais externo de pensamento, baseado na observação e, decerto, também em inferências.
Ainda, segundo Freud, as idéias religiosas embora tão importantes para o nosso patrimônio cultural são fundadas paradoxalmente em provas poucos sólidas; não se poderia considerar como prova válida o fato de que nossos ancestrais já acreditavam nisso ou de que as provas datam de tempos primitivos. Sabemos aproximadamente em que períodos, e por que tipo de homens, as doutrinas religiosas foram criadas. Se, ademais, descobrirmos os motivos que conduziram a isso, nossa atitude para com o problema da religião experimentará um acentuado deslocamento. Dir-nos-emos que seria muito bom se existisse um Deus que tivesse criado o mundo, uma Providência benevolente, uma ordem moral no universo e uma vida posterior, constitui, porém, fatos bastante notáveis que tudo seja exatamente como estamos fadados a desejar que seja. E seria mais notável se nossos lamentáveis ignorantes e espezinhados ancestrais tivessem conseguido solucionar todos esses difíceis enigmas do universo.
Freud afirma que as idéias religiosas são ilusões, isto é, que elas constituem a realização dos mais fortes desejos da humanidade. Desejos estes, que se baseiam no desamparo infantil e na angústia em face dos perigos da existência que encontram um consolo nas idéias de que reinam uma Providência, uma justiça e uma vida após a morte. Tudo isso, são ilusões, realizações dos mais antigos, fortes e prementes desejos da humanidade. Para não chocar seu interlocutor e seus leitores, Freud esclarece e distingue uma ilusão de um erro, acrescenta ainda que, a religião sem dúvida contribuiu enormemente para manter a civilização durante milênios, contribuiu muito para domar os instintos associais, mas não o suficiente. Dominou a sociedade humana por milhares de anos como já foi citado e teve tempo para demonstrar o que pode alcançar. Se houvesse conseguido tornar feliz a maioria da humanidade, confortá-la, reconciliá-la com a vida, e transformá-la em veículo de civilização, ninguém sonharia em alterar as condições existentes, Porém, em vez disso, o que vemos é, estarrecedoramente um número de pessoas extremamente insatisfeitas e infelizes com a civilização, sentindo-a como um jugo do qual gostariam de se libertar; e que essas pessoas fazem tudo que se acha em seu poder para alterar a civilização , ou então vão tão longe em sua hostilidade contra ela, que nada têm a ver com a civilização ou com uma restrição do instinto.
Hoje, na medida em que a religião tem menos influência sobre os homens, a civilização pode estar ameaçada e essa ameaça não vem certamente de cientistas e de homens cultos, e sim da grande multidão de homens sem cultura e dos insatisfeitos com a civilização.Dessa forma, ou essas massas perigosas terão de ser muito severamente submetidas e com todo cuidado mantidas afastadas de qualquer possibilidade de despertar intelectual, ou então o relacionamento entre civilização e religião terá de sofrer uma revisão fundamental.
As idéias religiosas não são apenas realizações de desejos, segundo Freud, são também reminiscências históricas relacionadas com o pai da horda primitiva, deificado após sua morte. Diz também que, a religião seria o equivalente da neurose que se observa durante os primeiros anos de vida e que desaparece ao longo de seu desenvolvimento. Essas neuroses infantis são superespontaneamente no decurso do crescimento, sendo isso especialmente verdadeiro quanto às neuroses obsessivas da infância. O remanescente pode ser eliminado mais tarde ainda, através do tratamento psicanalítico. Por isso, Freud afirma: “que a religião seria a neurose obsessiva universal da humanidade; tal como a neurose obsessiva das crianças, ela surgiu do complexo de Édipo, do relacionamento com o pai”.
Em suma, no capítulo final, em resposta às objeções levantadas por seu interlocutor, Freud começa se defendendo de ser um sonhador e de se deixar levar por suas próprias ilusões. Ao contrário, ele mostra muita esperança na primazia da inteligência e do espírito científico, ainda que esse momento esteja distante. Reitera ainda dizendo: “acreditamos ser possível ao trabalho científico conseguir um certo conhecimento da realidade do mundo, conhecimento através do qual podemos aumentar nosso poder e de acordo com o qual podemos organizar nossa vida. Se essa crença for uma ilusão, então nos encontraremos na mesma posição que você. Mas a ciência, através de seus numerosos e importantes sucessos, já nos deu provas de não ser uma ilusão. Não, nossa ciência não é uma ilusão. Ilusão seria imaginar que aquilo que a ciência não nos pode dar, podemos conseguir em outro lugar”.
GICILEIDE FERREIRA
Em um futuro de uma ilusão, Freud dedica os dois primeiros capítulos a demonstrar a necessidade para a civilização de recorrer a altos valores morais afim de se proteger das tendências destrutivas provenientes dos indivíduos que as compõe. Entre estes valores morais ele engloba valores de ordem psicológica, os ideais culturais, a arte, assim como as idéias religiosas. Diz também que as criações humanas são facilmente destruídas, e a ciência e a tecnologia que as construíram, também pode ser utilizada para sua aniquilação.
Segundo Freud, as idéias religiosas, no sentido mais amplo do termo, constituem o valor moral mais importante para a manutenção da civilização. Ele nos sugere imaginar o caos que se seguiria caso se suprimissem todas as proibições instintivas e se permitisse aos homens voltar ao estado natural. Assim, as idéias religiosas teriam surgido da necessidade de tornar suportável o desamparo humano em face dos perigos da natureza e do destino e em face dos danos causados pela sociedade humana, as idéias religiosas são ensinamentos e afirmações sobre fatos e condições da realidade externa ou interna que nos dizem algo que não descobrimos por nós mesmos e que reivindicam nossa crença. Visto que, nos fornecem informações sobre o que é mais importante e interessante para nós na vida. Todo ensinamento exige uma crença em seu conteúdo, mas não sem produzir fundamentos para sua reivindicação. Esses ensinamentos são apresentados como o resultado resumindo de um processo mais externo de pensamento, baseado na observação e, decerto, também em inferências.
Ainda, segundo Freud, as idéias religiosas embora tão importantes para o nosso patrimônio cultural são fundadas paradoxalmente em provas poucos sólidas; não se poderia considerar como prova válida o fato de que nossos ancestrais já acreditavam nisso ou de que as provas datam de tempos primitivos. Sabemos aproximadamente em que períodos, e por que tipo de homens, as doutrinas religiosas foram criadas. Se, ademais, descobrirmos os motivos que conduziram a isso, nossa atitude para com o problema da religião experimentará um acentuado deslocamento. Dir-nos-emos que seria muito bom se existisse um Deus que tivesse criado o mundo, uma Providência benevolente, uma ordem moral no universo e uma vida posterior, constitui, porém, fatos bastante notáveis que tudo seja exatamente como estamos fadados a desejar que seja. E seria mais notável se nossos lamentáveis ignorantes e espezinhados ancestrais tivessem conseguido solucionar todos esses difíceis enigmas do universo.
Freud afirma que as idéias religiosas são ilusões, isto é, que elas constituem a realização dos mais fortes desejos da humanidade. Desejos estes, que se baseiam no desamparo infantil e na angústia em face dos perigos da existência que encontram um consolo nas idéias de que reinam uma Providência, uma justiça e uma vida após a morte. Tudo isso, são ilusões, realizações dos mais antigos, fortes e prementes desejos da humanidade. Para não chocar seu interlocutor e seus leitores, Freud esclarece e distingue uma ilusão de um erro, acrescenta ainda que, a religião sem dúvida contribuiu enormemente para manter a civilização durante milênios, contribuiu muito para domar os instintos associais, mas não o suficiente. Dominou a sociedade humana por milhares de anos como já foi citado e teve tempo para demonstrar o que pode alcançar. Se houvesse conseguido tornar feliz a maioria da humanidade, confortá-la, reconciliá-la com a vida, e transformá-la em veículo de civilização, ninguém sonharia em alterar as condições existentes, Porém, em vez disso, o que vemos é, estarrecedoramente um número de pessoas extremamente insatisfeitas e infelizes com a civilização, sentindo-a como um jugo do qual gostariam de se libertar; e que essas pessoas fazem tudo que se acha em seu poder para alterar a civilização , ou então vão tão longe em sua hostilidade contra ela, que nada têm a ver com a civilização ou com uma restrição do instinto.
Hoje, na medida em que a religião tem menos influência sobre os homens, a civilização pode estar ameaçada e essa ameaça não vem certamente de cientistas e de homens cultos, e sim da grande multidão de homens sem cultura e dos insatisfeitos com a civilização.Dessa forma, ou essas massas perigosas terão de ser muito severamente submetidas e com todo cuidado mantidas afastadas de qualquer possibilidade de despertar intelectual, ou então o relacionamento entre civilização e religião terá de sofrer uma revisão fundamental.
As idéias religiosas não são apenas realizações de desejos, segundo Freud, são também reminiscências históricas relacionadas com o pai da horda primitiva, deificado após sua morte. Diz também que, a religião seria o equivalente da neurose que se observa durante os primeiros anos de vida e que desaparece ao longo de seu desenvolvimento. Essas neuroses infantis são superespontaneamente no decurso do crescimento, sendo isso especialmente verdadeiro quanto às neuroses obsessivas da infância. O remanescente pode ser eliminado mais tarde ainda, através do tratamento psicanalítico. Por isso, Freud afirma: “que a religião seria a neurose obsessiva universal da humanidade; tal como a neurose obsessiva das crianças, ela surgiu do complexo de Édipo, do relacionamento com o pai”.
Em suma, no capítulo final, em resposta às objeções levantadas por seu interlocutor, Freud começa se defendendo de ser um sonhador e de se deixar levar por suas próprias ilusões. Ao contrário, ele mostra muita esperança na primazia da inteligência e do espírito científico, ainda que esse momento esteja distante. Reitera ainda dizendo: “acreditamos ser possível ao trabalho científico conseguir um certo conhecimento da realidade do mundo, conhecimento através do qual podemos aumentar nosso poder e de acordo com o qual podemos organizar nossa vida. Se essa crença for uma ilusão, então nos encontraremos na mesma posição que você. Mas a ciência, através de seus numerosos e importantes sucessos, já nos deu provas de não ser uma ilusão. Não, nossa ciência não é uma ilusão. Ilusão seria imaginar que aquilo que a ciência não nos pode dar, podemos conseguir em outro lugar”.
GICILEIDE FERREIRA
Assinar:
Postagens (Atom)