segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

PREFÁCIO A JUVENTUDE DESORIENTADA , DE AICHHORN

PREFÁCIO A JUVENTUDE DESORIENTADA , DE AICHHORN

Sigmund Freud foi um intelectual que aliava a parte teórica à prática. Escritor compulsivo e extremamente produtivo, foi colocando suas teorias num estilo próprio e característico, em estilo científico, mas sem exagerar nas citações a outros pensadores e cientistas.

S. Freud nasceu em 06 de maio de 1856 na Checoslováquia, de origem judaica. Aos 8 anos já lia Shakespeare e, na adolescência uma conferência, cujo tema era o ensaio de Goethe sobre a natureza ficou profundamente impressionado. Trocou a faculdade de Direito pela Medicina e interessou-se pela área de pesquisas. Iniciou seu trabalho sobre o sistema nervoso central, publicou vários artigos sobre cocaína. Especializou-se em doenças nervosas e criou interesse pela "histeria" e pela hipnoterapia praticada na época por Breuer Charcot. Os dois , trabalhando juntos publicaram "Estudos sobre a Histeria" e na mesma época Freud conseguiu analisar um sonho seu que ficou conhecido como "O Sonho da Injeção feita em Irma", rascunhou "Projeto para uma psicologia Científica" somente publicada após sua morte.O termo psicanálise (associação livre) , foi iniciado por ele após passar por um trauma com a morte de seu pai e começou com seu amigo WILHELM FLIESS .
"A Interpretação de Sonhos" que Freud considerava um de seus melhores livros foi publicado para ser projetado no inicio do novo século, XX. Foi bastante hostilizado por seus colegas médicos, trabalhando em total isolamento. Deu inicio a análise de Dora , sua paciente e escreveu Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiana, " publicando em 1901. Escreveu "Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, "Os Chistes e sua relação com o Inconsciente, " "Fragmento da análise de um caso de Histeria"; (neurose) Teve alguns seguidores como Alfred Adler, Carl Jung, que depois separaram-se de Freud e criaram suas próprias escolas, discordando da ênfase que Freud dava à origem sexual da neurose.(nervosismo, irritabilidade, excitação) Durante a Segunda Guerra Mundial Freud foi para a Inglaterra, mas suas irmãs foram assassinadas em campos de concentração. Freud ainda escreveu "Conferências Introdutórias sobre Psicanálise e há vários volumes da "Coletânea das Obras de Sigmund Freud, que entre outros temas, abrangia a teoria do trauma do nascimento.
Freud é considerado o PAI DA PSICANÁLISE, onde o paciente, vai com ou sem hipnose, lembrando-se de seus traumas, durante a vida e libertando-se de seus sofrimentos e atitudes de irritabilidade, histeria etc....É muito utilizado hoje em dia, por psicólogos e até os novos parapsicólogos, que estão surgindo, usam também em grande escala a hipnose para recordações de vidas anteriores. Freud lutou por muitos anos contra um câncer na boca e morreu por eutanásia ( EUTANÁSIA - SEUS ÚLTIMOS DIAS, por Peter Gay) em 23 de setembro de 1939 com grande influência na cultura do século XX. É de grande importância o estudo de Freud por psicólogos, psicanalistas e parapsicólogos, pelo estudo e entendimento para ajudar os pacientes do nascer e do passado-presente-futuro a fim de se manter e entender os meandros da vida emocional.
Pesquisa: Bibliografia: !A Vida e Obra de Sigmund Freud " por Ernest Jones


As obras de Freud
Estudos sobre a histeria (com Josef Breuer, título original Studien über Hysterie, 1895) recebesse a aclamação.
A interpretaçõo dos sonhos (título original Die Traumdeutung, 1900) para que o psicanalista consiga montar um modelo da estrutura do inconsciente daquela pessoa..
Sobre a psicopatologia da vida cotidiana (Título original Zur Psychopathologie des Alltagslebens, 1901) Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (título original Drei Abhandlungen zur Sexualtheorie, 1905)
Os chistes e a sua relação com o inconsciente (título original Der Witz und seine Beziehung zum Unbewußten, 1905).
Totem e Tabu (título original Totem und Tabu, 1913)
Além do princípio do prazer (título original Jenseits des Lustprinzips, 1920)
O Ego e o Id (título original Das Ich und das Es, 1923)
O mal-estar na civilização (título original Das Unbehagen in der Kultur, 1930)
Moisés e monoteísmo (título original Der Mann Moses und die monotheistische Religion, 1939) Fonte: Instituto Luzes de desenvolvimento humano
Obra resenhada

Para Freud, nenhuma das aplicações da psicanálise excitou tanto interesse e despertou tantas esperanças e atraiu tantos colaboradores capazes, quanto seu emprego na teoria e prática da educação. É fácil compreender por quê, as crianças se tornaram o tema principal da pesquisa psicanalítica e substituindo, os neuróticos com os quais ela iniciou seus estudos. A análise demonstrou como a criança continua a viver, quase inalterada, no doente, lançou luz sobre as forças motivadoras e tendências que estampam seu selo característico sobre a natureza infantil e traçou os estádios através dos quais a criança chega à maturidade. Não é de admirar, portanto, que tenha surgido a expectativa de que o interesse psicanalítico nas crianças beneficiaria o trabalho da educação, cujo objetivo é orientar e assistir as crianças s em seu caminho para diante e protegê-las de se extraviarem.

Segundo o autor, ele menciona que sua cota pessoal na aplicação da psicanálise foi leve. Em um primeiro estádio, diz ele - aceitei o bon mot que estabelece existirem três profissões impossíveis - educar, curar e governar – eu já estava inteiramente ocupado com a segunda delas. Isto, contudo, não significa que desprezo o alto valor social do trabalho realizado por aqueles de meus amigos que se empenham na educação.

O presente volume da autoria de August Aichhorn interessa-se por um setor do grande problema: a influência educacional de delinqüentes juvenis. O autor trabalhou como diretor de instituições municipais para deliquentes, antes de ter-se familiarizado com a psicanálise. Sua atitude para com seus encargos origina-se de uma cálida simpatia com a sorte desses infelizes e foi corretamente guiada por uma percepção intuitiva de suas necessidades mentais. A psicanálise praticamente pouco pôde ensinar-lhe algo que fosse novo, porém lhe trouxe uma clara compreensão interna ( insight ) teórica da justificativa de seu modo de agir e colocou-o em posição de explicar seu fundamento a outras pessoas.

Para o autor, não se deve presumir que esse dom de compreensão intuitiva seja encontrado em todos aqueles que se interessaram pela educação de crianças. Segundo ele, duas lições se pode derivar da experiência e do sucesso de August Aichhorn. Uma é que toda pessoa desse tipo deveria receber uma formação psicanalítica

A segunda lição. Afirma-se no sentido de que o trabalho da educação é algo sui generis: não deve ser confundido com a influência psicanalítica e não pode ser substituído por ela. A psicanálise pode ser convocada pela educação como meio auxiliar de lidar com uma criança, porém não constitui um substituto apropriado para a educação. Tal substituição não só é possível em fundamentos práticos côo também deve ser desaconselhada por razões teóricas.
Não devemos deixar-nos desorientar pela afirmação - incidentalmente uma afirmação perfeitamente verídica - de que a psicanálise de um neurótico adulto é equivalente a uma pós-educação. Uma criança, mesmo uma criança desorientada e delinqüente, ainda não é um neurótico, e a pós-educação é algo inteiramente diferente da educação dos imaturos. A possibilidade de influência analítica repousa em precondições bastante definidas, que podem ser resumidas sob a expressão ‘situação analítica’; ela exige o desenvolvimento de determinadas estruturas psíquicas e de uma atitude específica para com o analista..
O autor encerra com uma inferência, importante não para a teoria da educação, mas para a condição daqueles que estão empenhados na educação. Se um deles aprendeu a análise por experimentá-la em sua própria pessoa, e está em posição de poder empregá-la em casos fronteiriços e mistos, a fim de auxiliá-lo em seu trabalho, obviamente deverá ter o direito de praticar a análise; e não se deve permitir que motivos mesquinhos tentem colocar obstáculos em seu caminho.

Apreciação da resenha

Freud, se refere a três profissões consideradas para ele como impossíveis: governar, educar e curar. Essas profissões representam na teoria freudiana, diferentes maneiras de fazer laço, diferentes maneiras de tentar contornar o impossível.
Petri (2003) nos lembra que o laço é um nó que se desata sem esforço. Temos assim, que os laços sociais que os discursos tentam articular são provisórios, frágeis, incapazes de amarrar todo o real presente. Com efeito, todas essas modalidades de laço carregam em si algo do real, pois sempre haverá uma perda, sempre haverá um mal-estar, sempre haverá um mal-entendido; algo do impossível de ser todo representado. Sendo assim, afirmar que analisar é uma tarefa impossível é partir de uma referência importante: sempre haverá alguma espécie de fracasso nessa forma de laço.
Todavia, a questão do fracasso inerente a toda e qualquer tentativa de produzir enlaçamento, vai adquirir uma posição especial na forma de laço inaugurada pela psicanálise. Freud atribui a dificuldade dessas três missões – educar, curar e governar – obterem êxito pleno ao fato de que, por lidarem com o ser humano, estão vinculadas a forças pulsivas e sócio ‐ culturais, o que torna impossível atingir plenamente os objetivos idealmente desejáveis.

Freud acreditava já naquela época, que a Educação não tem cumprido sua tarefa, causando às crianças graves prejuízos. Mesmo sabendo que o educador tinha necessidade de receber uma formação em Psicanálise. Freud reconhece que "a educação não deve ser confundida com a influência psicanalítica e não pode ser substituída por ela".

Referência Bibliográfica
FREUD, S. Prefácio a "Juventude desorientada" de Aichhom In: SALOMÃO, J. (Edit.) Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro:
Imago, 1976, v.19.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Mitos, Verdades e Tabus sobre a Psicanálise

Quais São as diferenças entre a psicanálise e as psicoterapias?
Até a pouco tempo, essa crença era bastante divulgada, principalmente por parte dos próprios psicanalistas. Na atualidade, essa afirmativa pode ser considerada como sendo um mito. Pela importancia desta questão se justifica fazer uma distinção entre psicanálise, psicoterapia e terapia analítica. Inicialmente, cabe fazer uma matáfora:assim como existem os extremos da claridade do dia e da escuridão da noite, também existem os estados intermediários como são a aurora e o crespúsculo. De forma análoga, pode-se dizer, esquematicamente, que a psicoterapia tem uma finalidade mais restrita, como resolver crises vitais e acidentais; remover sintomas agudos de quadros de transtornos mentais, como angústia, fobia, paranóia, etc., propriciar melhor adaptação na família, sociedade e trabalho; dar apoio com vistas a um melhor enfrentamento de situações difíceis. Habitualmente, as psicoterapias (tanto individual como grupal) são realizadas em uma média de duas sessões semanais, mas nada impede que possa ser uma sessão semanal, quinzenal ou até mesmo mensal. O tempo de duração de uma psicoterapia pode ser breve( por exemplo, a "focal", visa à resolução de um foco específico de sofrimento) ou longa, que perdura enquanto estiverem, de fato, se processando melhoras na qualidade de vida.
Já um tratamento psicanalítico visa a um maior aprofundamento,isto é, vai além dos inequívocos beneficios terapeuticos acima mencionados, sendo que o maior objetivo de uma análise é conseguir mudanças da estrutura inerior do psiquismo.Objetiva, portanto, realizar verdadeiras e permanentes mudanças caracterológicas, de sorte a melhorar a qualidade de vida para uma pessoa que, por exemplo, seja exageradamente obsessiva, ou histérica, fóbica, depressiva, paranóide, psicossomatizadora,etc. Isso,na hipótese de que essa caracterologia, embora sem sintomas manifestos, de alguma forma possa estar prejudicando a si próprio e/ ou aos demais, com sensíveis prejuízos e inibições nas capacidades afetivas, intelectivas, comunicativas, criativas e de lazer. Um tratamento psicanalítico habitualmente é processado com quatro (ou três) sessões semanais, comumente(mas não obrigatoriamente) com o paciente deitado no divã, e tem uma duração de vários anos, dependendo do paciente.
O termo terapia analítica( ou psicoterapia de orientação psicanalítica) designa aquele tratamento em que há certa superação de psicoterapia e pasicanálise e cujo denominador comum consiste na utilização do "método análitico" que, fundamentalmente, consiste em um conjunto de conhecimentos teóricos e procedimentos técnicos que possibilitam um acesso ao incosciente do paciente.
Voltando a metáfora do dia e noite, vale repisar que os autores e professores estabeleciam um enorme abismo entre psicoterapia e psicanálise. Na atualidade, entretante, as zonas de aurora e crepúsculo servem de analogia para o significado de que passou a existir uma redução de diferenças, e uma superposição de semelhanças entre ambas está se expandindo de forma significantiva.David E. Zimerman

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Palestra

A Sociedade de Psicanálise de Brasília (SPB) e o Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) têm o prazer de convidá-los para a palestra “Transgeracionalidade, Resiliência e Vínculo”, com Ana Rosa Chait Trachtenberg, analista didata e analista de criança da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre (SBPdePA).


O evento será realizado no dia 23 de setembro (sexta-feira), às 20h, no UniCEUB, Bloco 3, Auditório 3 - SEPN 707/907 – Asa Norte, aberto ao público, com entrada franca.

As inscrições para a palestra devem ser feitas antecipadamente no portal do UniCEUB, clicando aqui:(http://www.uniceub.br/Congresso/con001_alterar.aspx?ID=61c6bfb1).


Diretoria Científica
Sociedade de Psicanálise de Brasília






Realização: Sociedade de Psicanálise de Brasília (SPB)

Apoio: Instituto CEUB de Pesquisa e Desenvolvimento (ICPD/UniCEUB)


Informações: Secretaria da SPB - Telefone 61 3248-2309

Citação de Freud

" Somente alguem que possa sondar as mentes das crianças será capaz de educá-las, e nós adultas, não podemos entender as crianças porque não mais entendemos a nossa própria infâcia."
(FREUD, 1913b:224)

sábado, 27 de agosto de 2011

O professor está doente


Sabe aquele professor apático, cansado e irritado?
Ele nem sempre foi assim. Ele já foi alguém animado e comprometido com a sua profissão. Ele já foi um profissional responsável e perseverante. Ele já foi idealista e sonhador.
O que terá acontecido no seu percurso que o tornou um profissional tão “apagado”?

O professor está doente. Excesso de burocracia (fichas avaliativas mensais, bimestrais e formulários para comunicações com coordenadores, para conselhos de classe, etc.), excesso de trabalho profissional em casa (preparação e correção de tarefas diferenciadas avaliativas, trabalhos escolares, provas, testes, planejamentos, projetos, etc.), indisciplina em sala de aula (conversas paralelas, uso de aparelhos MP3/4/5, uso do telefone celular para enviar torpedo e jogos, gritos, etc.), salário baixo (e que não contempla o trabalho extra-classe, especialmente aquele realizado aos finais de semana e nos feriados), violências verbais (broncas na sala dos professores durante o seu descanso), violências morais (comparações entre diferentes níveis de ensino e até entre os próprios professores feitas por coordenadores), exigências de resultados positivos nos boletins pelos pais de alunos e pressão da direção, perseguição de coordenadores e supervisores bisbilhotando as salas de aula, pegando, às escondidas, os cadernos e livros dos alunos para fiscalizar o cumprimento do conteúdo, bombardeio de informações e contra-informações por parte de coordenadores de diversas áreas que precisam "mostrar serviço", a indisciplina e apatia dos alunos e, principalmente, a falta de reconhecimento de sua atividade são algumas das causas de estresse, ansiedade e depressão que vêm acometendo os docentes brasileiros das escolas privadas e públicas.


"Muitos pais acreditam em tudo o que as crianças dizem e vêm procurar os orientadores para tirar satisfação. Isso é ruim porque, ao menor sinal de deslize, os alunos fazem o que querem. Por isso temos de ser duros. Sem respeito com os professores, é impossível qualquer aprendizagem e a escola perde o sentido."
(Neide Maria Negrini, 49 anos, professora de português na Escola Pueri Domus, em São Paulo )

A indisciplina nas salas de aula assumiu tais proporções que muitos professores estão com medo dos alunos. Não se trata da violência que, nos bairros pobres, ultrapassa os muros escolares e ameaça fisicamente os educadores, mas sim de um fenômeno de subversão do senso de hierarquia que ocorre em grandes redes de ensino privadas e também está presente em colégios tradicionais. Uma explicação parcial para essa mudança de comportamento é a seguinte: os alunos ignoram a autoridade do professor porque o vêem como uma espécie de empregado ou prestador de serviços, pago por seus pais. Uma das queixas mais comuns dos professores diz respeito ao sentimento de impotência diante de alunos indisciplinados. Certas escolas agem como se a lógica do comércio – aquela que diz que o freguês sempre tem razão – também valesse dentro da classe. "Os professores estão sofrendo de fobia escolar, antes um distúrbio psicológico exclusivo das crianças", diz o psicanalista Raymundo de Lima, professor do departamento de fundamentos da educação da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná. (Veja, Edição 1904 . 11 de maio de 2005)



Profissionais de saúde e de educação dão cada vez mais atenção a fatores que afetam a saúde psicológica do professor. Ainda que pouco seja feito em termos de políticas públicas e educacionais para prevenção, acompanhamento e tratamento de casos genericamente classificados como de estresse, pesquisas começam a identificar a origem do mal e a apontar caminhos para mudanças.



Partindo da hipótese de que as condições de trabalho - excesso de tarefas e ruídos, pressão por requalificação profissional, falta de apoio institucional e de docentes em número necessário, entre outras - geram um sobreesforço na realização de suas tarefas, o estudo conclui que os resultados aferidos nas diversas cidades são convergentes e que os professores estão mais sujeitos que outros grupos a terem transtornos psíquicos de intensidade variada.



Um dos problemas mais comuns na atividade de educador é a síndrome de burnout. Suas causas estão na ocupação profissional, principalmente entre trabalhadores que lidam diretamente com pessoas e demandas variadas. É comum entre médicos, enfermeiros, policiais e, é claro, professores.

Vista como epidemia no meio educacional, essa síndrome não é exclusividade brasileira. Estudos na década de 1980 já apontavam altíssima incidência do problema entre os docentes norte-americanos.

A síndrome do esgotamento profissional,conhecida como síndrome de burnout,foi batizada nos anos 70.

O nome vem da expressão em inglês to burn out, ou seja, queimar completamente, consumir-se.

Entretanto, por estar sendo estudada há relativamente pouco tempo, ainda é difícil avaliar o desenvolvimento do burnout nas diferentes atuações profissionais. De qualquer maneira, as mudanças sociais das últimas décadas - que, para ficarmos no caso brasileiro, alteraram a cultura e os interesses do alunado, aumentaram a violência nos centros urbanos e diversificaram e intensificaram o acesso à informação - entraram na escola e tornaram-se fatores motivadores de estresse entre os professores.



Celso dos Santos Filho é médico residente do setor de psiquiatria do Hospital do Servidor, em São Paulo. Ele diz que atende a um número considerável de professores que buscam ajuda psiquiátrica com os mais diversos transtornos. "Há uma desvalorização gradual do papel do professor. Ele se sente cada vez menos valorizado, o que afeta a prática profissional e a auto-estima", conta. Tais perturbações deságuam em "dificuldade para ir ao trabalho, insônia, choro fácil". O médico nota que as reclamações mais comuns desse sentimento de depreciação da atividade apontam para a falta de autoridade sobre os alunos e para a ausência de apoio institucional (da escola) e das famílias dos alunos.



O professor que desenvolve fobia escolar sente um pavor profundo da escola e da sala de aula, acompanhado de alterações físicas como palpitações e tremores. Os ambulatórios psiquiátricos dos hospitais brasileiros já registraram o aumento dos casos de professores com distúrbios de ansiedade, entre eles a fobia escolar. "O número de professoras que têm procurado atendimento por estar estressadas, deprimidas ou sofrendo de crise do pânico aumentou cerca de 20% nos últimos três anos", diz Joel Rennó Júnior, coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher do Hospital das Clínicas de São Paulo. Até meados dos anos 90, esse tipo de distúrbio psicológico era um quase monopólio daqueles professores que trabalham em escolas públicas. Hoje, afeta igual quantidade de educadores de colégios particulares. (Veja, Edição 1904 . 11 de maio de 2005)



Existem dados que balizam a fala do psiquiatra: a Unesco fez, em 2002, uma grande pesquisa sobre o perfil do professor brasileiro. Em uma das questões sobre a percepção que tinham do próprio trabalho, 54,8% afirmaram ser um problema manter a disciplina em sala de aula; 51,9% mencionaram as características sociais dos alunos; e 44,8%, a relação com os pais. Outros pontos críticos estão relacionados com o volume de trabalho e a falta de tempo para preparar aulas e corrigir avaliações. De todo modo, as questões que envolvem relações humanas, que são a essência da educação, demonstram ser obstáculos difíceis para os professores.



O professor acaba submetido a múltiplas pressões. É seu dever ensinar, impor disciplina aos alunos e, ao mesmo tempo, evitar que a escola perca "clientes". "Os esforços para passar a matéria equivalem a uma parcela mínima do desgaste físico e mental do professor", diz Marcos Hideaki Ono, de São Paulo, professor de física durante dez anos. O restante da energia é aplicado para controlar a classe, motivar os alunos e, às vezes, ensinar aos adolescentes princípios morais e éticos básicos. Ono, de 37 anos, conta que não suportava mais a agressividade dos alunos e, recentemente, abandonou o ensino para seguir carreira acadêmica em física. "Nos intervalos das aulas, era comum ver colegas tremendo de raiva ou chorando na sala de convivência dos professores", diz Ono. Uma de suas colegas pediu demissão depois que os alunos começaram a atirar-lhe moedas, insinuando que ela, por ser negra, era indigente. (Veja, Edição 1904 . 11 de maio de 2005)



"A gente deixa de fazer o trabalho para ficar chamando a atenção de aluno para tirar o pé da cadeira e para fazer silêncio. Isso os pais deveriam ensinar", revolta-se uma professora da rede pública paulista. "Nas reuniões, os pais dos alunos que não têm problemas aparecem; os que têm, raramente vão." A psicóloga e professora da PUC-Campinas, Marilda Lipp, concorda com a professora: "As crianças estão mal-educadas. Mas ao mesmo tempo em que os pais desvalorizam os professores, passam a eles a responsabilidade de educar os filhos".



Sempre fez parte do desafio do magistério administrar adolescentes com hormônios em ebulição e com o desejo natural da idade de desafiar as regras. A diferença é que, hoje, em muitos casos, a relação comercial entre a escola e os pais se sobrepõe à autoridade do professor. "Ouvi em muitas reuniões com coordenadores o lembrete de que os pais e os alunos devem ser tratados como clientes e, como tais, têm sempre razão", diz Iole Gritti de Barros, de 54 anos, professora aposentada. Durante 33 anos ela ministrou aulas de história para alunos da 5ª série em colégios particulares de São Paulo. Em algumas escolas, o temor de desagradar aos pais e perder os alunos acaba se sobrepondo à necessidade de impor ordem na sala de aula. A postura leniente com a disciplina explica-se, em parte, pelo número crescente de carteiras vazias. Em cinco anos foram abertas 2.000 novas instituições particulares de ensino fundamental e médio, enquanto a quantidade de alunos permaneceu inalterada. (Veja, Edição 1904 . 11 de maio de 2005)



De acordo com uma pesquisa orientada pelo psicólogo e professor da UERJ, Francisco Nunes Sobrinho, um fator determinante do burnout é a idade do professor. Pelos resultados, educadores mais jovens fazem uso exagerado de "controle aversivo". "Eles, por exemplo, gritam mais com o aluno para tentar controlar a disciplina. Se o professor ameaça demais, ele também pode criar um clima de estresse", explica.



Os pais entregaram a educação dos filhos aos colégios, mas alguns acham exageradas as exigências escolares ou as punições impostas aos indisciplinados. Também se vêem no direito de deixar o filho na escola com atraso ou buscá-lo mais cedo, a pretexto de viajar ou ir ao dentista – como se o horário de estudo não tivesse importância. Sem poder impor regras aos alunos, os professores acabam ficando impossibilitados de fazer aquilo que os pais esperam deles. A escola é um lugar onde as crianças aprendem a convivência em sociedade, com todas as suas regras. Ao perceberem que os pais estão sempre do seu lado, os estudantes ficam com a impressão de que tudo é permitido. "Um aluno chegou a me dizer que não iria fazer o que eu estava pedindo porque, como o pai dele pagava a escola, ele se comportava como queria lá dentro", diz a pernambucana Sandra Helena de Andrade, professora de português em duas escolas privadas do Recife.. (Veja, Edição 1904 . 11 de maio de 2005)



A deterioração da atividade docente não acontece apenas no ensino público, o privado também sofre de mal semelhante. "A relação entre professor e aluno se transformou em relação professor-cliente", condena Rita Fraga, diretora do Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP). Apesar de trabalhar com profissionais da rede particular do Estado, ou seja, que supostamente figuram entre os mais bem remunerados do país e com uma boa infra-estrutura de ensino disponível, o sindicato nota um aumento do estresse no seu público. Rita avalia que muitos professores são pressionados pelos interesses mercadológicos da escola e, assim, muitas vezes não têm suporte da instituição em situações de enfrentamento com os alunos. "Com medo de perder o emprego, ele se sujeita a esse tipo de situação."



"Hoje, a punição é cada vez mais rara, tanto na escola como em casa."

Os pais têm larga parcela de culpa no que diz respeito à indisciplina dentro da classe. É uma situação cada vez mais comum: eles trabalham muito e têm menos tempo para dedicar à educação das crianças. Sentindo-se culpados pela omissão, evitam dizer não aos filhos e esperam que a escola assuma a função que deveria ser deles: a de passar para a criança os valores éticos e de comportamento básicos, diz a pedagoga carioca Tania Zagury, autora do livro Escola sem Conflito: Parceria com os Pais. (Veja, Edição 1904 . 11 de maio de 2005)



Medo de perder o emprego gera submissão de docentes, alerta Rita Fraga, do Sinpro-SP

A psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Alexandrina Meleiro, demonstra que esse problema de instituições privadas existe nos casos que atende, principalmente de professores do ensino superior: "Em algumas (instituições), os alunos fazem um motim contra o professor e a escola prefere demitir o profissional a ficar do lado dele", relata.



Entretanto, ela identifica que a maior quantidade de casos está no ensino fundamental. "São professores com problemas somáticos - depressão, ansiedade, às vezes síndrome do pânico - e, em alguns casos, se houve um assalto na escola, por exemplo, depressão pós-trauma", diagnostica. De acordo com Alexandrina, "entre 30% e 40% acabam desistindo da profissão, o que caracteriza que o problema é decorrente da ocupação".



O tratamento, segundo a psiquiatra, varia muito. "Dependendo do grau de desgaste, a pessoa pode passar somente por psicoterapia, ser medicada temporariamente com ansiolítico ou antidepressivo e, às vezes, tem de ser deslocada para uma função burocrática ou passar a trabalhar com outros tipos de alunos."



Não é comum, porém algumas instituições de ensino têm investido na "prata da casa" e orientando os profissionais mais afetados com os "males da profissão" a realizarem exames médicos, terapias e até concedem licenças médicas visando recuperá-los. Muitas escolas mantêm convênios com terapeutas psicólogos, fonoaudiólogos, academias de ginástica e até promovem momentos de desconcentração, espiritualidade, caminhadas e ginástica coletiva. Porém não são todas que se preocupam com o professor!







É o primeiro dia de aula do professor substituto que irá continuar o trabalho do titular de Geografia, licenciado por problemas de saúde. Passado o alvoroço inicial, a turma faz silêncio para ouvir o nome do novo professor e estudar seus gestos, suas estratégias. É uma turma pouco afeita ao estudo, com poucas exceções. Quando caminhava para seus afazeres para a sala de aula, pareceu-lhe que os corredores daquela grande escola não eram nada animadores para o recém-chegado substituto. Alunos fazendo piadinhas, professores conversando entre si e sem dirigir a palavra ao novato substituto, coordenadores apressados e nervosos, etc. Quando adentrou a sala de aula todos os alunos estavam em pé, circulando despreocupadamente, falando alto, rindo e sem qualquer tipo de compromisso com o trabalho que está apenas começando. Querem falar de outros assuntos, mais próprios e interessantes em sua opinião para pessoas que, como eles, estão em idade para freqüentar o Ensino Médio. Geografia não lhes parece parte integrante dos conhecimentos que necessitam para sobreviver na selva que percebem em seus cotidianos. Romeu, o professor substituto, mal consegue se apresentar, pois é interrompido de minuto em minuto por perguntas sem conexão com o conteúdo e piadas dos alunos. É apenas mais uma entre várias formas de interromper o trabalho que está sendo desenvolvido.

Mal o professor chegou à sala e já apareceram duas garotas pedindo para ir ao banheiro. Notava-se que queriam apenas retardar as explicações e sair para, talvez, usar o aparelho celular. Numa outra aula, quando as primeiras páginas do livro estavam sendo abertas no capítulo sobre formas de relevo e vulcanismo, surgem dois alunos, atrasados, que trazem consigo justificativas que lhes permitem permanecer na aula. Nenhum dos dois tem os materiais apropriados e ainda desrespeitam o professor fazendo gestos grotescos e obscenos pelas costas. Durante as explicações do conteúdo para a prova, já agendada pelo antigo professor, os atrasadinhos demonstram claramente que não tem qualquer interesse pelo que está sendo ensinado e, caso tirarem nota abaixo da média na prova, terão a "segunda chamada" ou a prova de recuperação. Para desestabilizar ainda mais as aulas de Geografia, os jovens desinteressados passam a assistir a aula tendo a seu lado outras pessoas que, como eles, não estão dispostos a estudar e que, da mesma forma como os primeiros, querem ameaçar e boicotar os esforços do Romeu.

Candidato em potencial para uma licença de saúde? Geralmente os profissionais da educação acumulam aulas em outras escolas, fica sobrecarregados de trabalho, em sala de aula e em casa, tudo isso para reforçar o orçamento minguado decorrente da baixa remuneração da classe.

A agitação, típica de uma sala de aula do ensino médio, reforçada pela pressão por resultados e pelas inevitáveis comparações com o professor titular, acarretará um profundo esgotamento do professor substituto levando-o, num futuro não muito distante, a capitular e recorrer à auxílio médico e medicações psiquiátricas.

E aqueles alunos desinteressados? Fizeram provas de recuperação, trabalhos e exames finais, e até foram para o conselho de classe e passaram de ano, felizes e realizados! Vestibular??? Não tem problema... o papai paga a mensalidade daquela faculdade particular!


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